America Latina
Foto: Denis Renó.

América Latina é uma região enorme, que engloba todos os países do continente americano (sul, central e norte) falantes de espanhol, francês ou português. Afinal, os três idiomas nascem do latim. Entretanto, para vários cidadãos deste e de outros continentes, latino-americano é aquele que fala espanhol. Enorme engano. Estes são hispânicos, enquanto nós, brasileiros, lusófonos. Mas todos latino-americanos. Sou um latino-americano de alma.

América Latina
Foto: Denis Renó.

A latinidade não está limitada a etnias, como os Saraguro, no Equador.

América Latina em mim

Por culpa dos meus país, há 38 anos me encantei com a cultura andina. Também por culpa de meus pais, um pouco depois comecei a escutar constantemente os discos do grupo latino-americano Tarancón, formado por brasileiros, argentinos, chilenos e sei lá de onde mais. Eram hippies músicos que reproduziam, revitalizavam musicas folclóricas da América Latina. Uma musicalidade riquíssima e cheia de alegria, em espanhol. Nascia nesse momento meu olhar diferenciado pela cultura Inca, pelo idioma espanhol e pelo topo dos Andes, tudo isso refletido em meus estudos.

América Latina
Foto: Alexandre Renó.

Desde pequeno tenho uma relação energética com os Andes.

Retorno à América Latina dos Andes

Anos depois, quando retornava do México, onde fui participar de um congresso (meu primeiro internacional, por acaso), a empresa Aeromexico me deu um presente ao fazer uma escala técnica em Lima (por alguma razão, naquela noite tivera que mudar de aeronave e embarcamos todos em um avião que precisava parar para abastecer na capital peruana). Respirei o ar peruano após 31 anos, pois viajei para Peru e Bolívia aos 3 anos de idade. Amanheci sobrevoando a cordilheira dos Andes, que saltou em minha janela. Decidi naquele dia que queria voltar, e no ano seguinte voltei mesmo, para Piúra, com direito a alguns dias em Lima. Voltei apaixonado.

Andes equatorianos

No ano seguinte, em meu primeiro congresso como convidado, conheci Quito e Loja, no Equador, onde cheguei mais perto ainda da cultura andina. Foram duas semanas mergulhado naquela cultura e saboreando a gastronomia e a arquitetura latino-americana, além de praticar ainda mais o idioma espanhol. Fiz amigos naquele “rincón” e aprendi a vibrar ao avistar as belas montanhas andinas.

Bogotá, no topo dos Andes

Em seguida, ao participar de outro congresso, conheci Bogotá, capital colombiana. Apesar de ser no finalzinho da cordilheira, em minha cabeça estava pisando em terras andinas. Voltei algumas vezes mais (três, para ser exato) até que decidi um dia viver naquelas alturas. Acabou acontecendo isso. Em 2011, fui viver em Bogotá com minha amada esposa e minha caçulinha, e finquei os pés nos 2.500 quilômetros de altitude de Santa Fé de Bogotá durante dois anos, os últimos oito meses com a companhia da minha filha do meio, a Júlia.

Um país que teima não ser da América Latina

Voltei pra casa há quatro anos. A essa hora, há pouco mais de 48 meses, preparava minhas malas num quarto de hotel do centro de Bogotá. Dormia minha última noite aos 2.500 quilômetros de altitude. Estava cansado dos Andes e louco para voltar pra casa. Queria voltar pra minha cultura, pro meu idioma, pra minha altitude.

Voltei ao Brasil, após realizar um dos meus sonhos mais profundos: viver nos Andes. Descobri que os problemas cantados pelo Tarancón se repetiram nas fotos que meus país guardaram para mim. A mesma coisa eu vi em Lima e Piúra (2006), Quito e Loja (2007) e Bogotá ((2008, 2010 e 2011). Sabe o que mais? Continuou vendo no Brasil, até hoje. Parece que por lá e por aqui o tempo não passa. Nem os problemas. Somos todos latino-americanos, nos dois lados dos Andes, mas na América Latina.

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