Viajar a Bogotá, há algumas décadas, era algo impensável. A Colômbia passava por sucessivos momentos de turbulência no campo da segurança. De um lado, um narcotráfico terrorista, que mostrava seu poder através de atentados nas principais cidades do país (Bogotá, Medellín e Cali). Do outro lado, as guerrilhas armadas presentes no país desde a década de 1950 até os dias de hoje, ainda que os processos de paz estejam avançados neste momento. Empresas recebiam seus funcionários no aeroporto com carros ultra-blindados e não os deixavam sair dos hotéis. Quem tinha um pouco mais de condição financeira saía de casa somente com escolta, enquanto os cidadãos comuns evitavam sair de Bogotá ou mesmo à noite de casa. Era um terror absoluto.

Entretanto, movimentos políticos ocorridos desde o início deste século mudaram o cenário. Apesar das portas de shopping ainda contarem com intensa revista nos veículos em busca de bombas – um hábito que permaneceu -, o país está muito mais seguro, e Bogotá conta com os riscos de qualquer cidade grande do continente americano. Apenas roubos a celulares, câmeras fotográficas e passaportes (guarde bem o seu) podem ser registrados na cidade. A segurança não se compara a Madri, mas o passeio pela cidade é muito tranquilo.

Bogotá
Foto: Denis Renó.

O centro de Bogotá é movimentado, entrelaçadas por carros e pedestres.

Morei em Bogotá durante dois anos, e sinto muita saudade da capital colombiana. Os sabores de Bogotá eram marcantes, assim como o clima, do jeito que eu gosto. Não conseguirei escrever sobre a cidade em um só post. A cidade possui muito o que fazer, então vamos dividir o tema em quatro posts: centro de Bogotá, Zona Rosa de Bogotá, Proximidades de Bogotá e um específico sobre o restaurante Andres Carne de Res, em Chía.

A Santa Fé de Bogotá

Bogotá, antigamente conhecida como Santa Fé de Bogotá, é a capital do país, e fica incrustada no Departamento de Cundinamarca. A cidade é a maior da Colômbia, com aproximadamente nove milhões de habitantes, e está localizada a 2.500 metros de altitude. Circundando o lado oriente da cidade, está o Cerro de Monserrate, com 3.152 metros de altitude. Para subir, há três opções: teleférico, funicular (um tipo de elevador de superfície) e caminhando. Entretanto, essa última opção é complicada pelo esforço físico e pelos riscos (de assalto e de queda), sendo indicado somente em ocasiões especiais que contam com caminhada monitorada. Do Monserrate, pode-se ver a maior parte da cidade, ficando de fora do visual apenas os bairros ao sul, como Ciudad Bolívar e parte de Fontibon. Mas o que sobra é maravilhoso, ficando ainda mais bonito ao entardecer, já que o sol se põe em frente, no oeste.

Bogotá
Foto: Denis Renó.

Monserrate é a serra que ladeia a cidade, ainda mais alta que Bogotá.

 

Bogotá
Foto: Denis Renó.

A vista desde o topo do Monserrate é privilegiada, especialmente em dias ensolarados.

No topo do Monserrate, também é possível tomar café da manhã ou almoçar em alguns dos restaurantes do local. O meu favorito é o Restaurante Santa Clara, que oferece um cardápio que pode ser saboreado enquanto se observa a enorme cidade 600 metros abaixo. Também pode-se ir conhecer a Basília do Senhor de Monserrate, ou mesmo comprar artesanatos em barraquinhas acima da igreja.

O centro religioso

Voltando à cidade, podemos passear pelo histórico bairro Candelária, no centro da cidade. Pelas ruas estreitas e com calçadas de tijolos, podemos visitar o belo Centro Cultural Gabriel García Marquez e diversos museus, como o do pintor colombiano Fernando Botero – o Museo Botero –, a Casa de la Modena ou o museu militar, onde encontramos uma sala exclusiva sobre Pablo Escobar. Próximo dali, está a Praça Simón Bolívar, onde fica o Congresso Nacional, o Palácio da Justiça, a Alcaldía de Bogotá e a bela Catedral de Bogotá, todos rodeando a enorme praça. Em uma das esquinas, encontramos o restaurante La Puerta Falsa, fundada em 1816 e que serve um típico café da manhã bogotano. O local é histórico e merece ser visitado.

Bogotá
Foto: Denis Renó.

A Catedral é parte do cenário da Praça Simón Bolívar.

Na Avenida Carrera 7a, pode-se caminhar tranquilamente desde que o ex-prefeito Gustavo Petro a transformou em avenida “peatonal”, ou seja, apenas para pedestres. Somente em alguns horários a avenida abre para tráfego de veículos. Ali, indico os diversos pontos de venda de empanadas colombianas com sabores deliciosos e preços bem baratos. Nela, estão quatro pontos fundamentais a serem visitados: o Museo del Oro, o Museo Internacional de la Esmeralda, a Igreja de San Francisco e o Mirador de la Torre Colpatria, o mais alto da cidade.

No centro, é possível encontrar diversas tendas de artesanato, muitas delas com preços convidativos. Também pode-se comprar artesanato a preços caros se não procurar corretamente. Particularmente, achava interessantes os preços de um mercadinho de tendas de artesanato ao lado do Museo del Oro, mas é preciso procurar bem, e negociar. Os colombianos, como os árabes, gostam muito desse jogo.

O transporte de Bogotá

Bogotá é um passeio sensacional, mas algumas dicas devem ser consideradas por quem chega do outro lado dos Andes e desembarca no Aeroporto Internacional de El Dorado, e a primeira delas refere-se exatamente sobre o aeroporto. A cidade é uma porta de saída de drogas, então fique atento às bagagens, não segure ou cuide de mala de ninguém e não se apavore se algum policial passar com cão farejador ao seu lado ou pedir que abra as malas para uma vistoria visual. Isso é importante para o combate às drogas.

Uma opção econômica de transporte é o Transmilenio, o metrô de superfície bogotano, construído aos moldes do Ligeirinho, de Curitiba. Entretanto, é bom preparar-se para andar nos ônibus, quase sempre lotados e apertados. Mas dependendo do lugar onde pretende ir, é o melhor caminho, pois o trânsito de Bogotá é pior que o de São Paulo.

Bogotá
Foto: Denis Renó

Vermelho, o Transmilenio avisa de longe que está chegando.

Outra dica é o passeio de táxi. Esse passeio pode tornar-se “milionário”, caso o taxista não tenha boa índole. Foram poucas as vezes em que entrei em um táxi na cidade sem ter vivido algum problema. Portanto, não deixe transparecer que não conhece nada da cidade (turista eles rapidamente percebem que somos), anote o número do táxi quando entrar no mesmo (fica identificado nos vidros do carro) e, se necessário, denuncie. Outra alternativa é pedir táxi somente pelas recepções dos hotéis e do restaurante em que estiver. Comer em restaurantes vale a pena. O custo de comida na rua é mais barata que se for preparada em casa.

Bogotá
Foto: Denis Renó.

A arepa blanca é ideal para acompanhar carnes, com um ají ao lado.

 

Cultura urbana

Uma dica é visitar a cidade escutando a banda colombiana Bomba Estereo, que mistura rock com ritmos colombianos. As músicas falam sobre algo relacionado à cultura local, e os clipes também mostram as belezas da Colômbia. Aventure-se. Conheça os sabores da cidade (a bandeja Paisa é uma obrigação). E leve um guarda-chuva, pois o clima no topo dos Andes muda de um segundo ao outro.


 

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