Madri cosmopolita
Foto: Denis Renó.

Madri cosmopolita. Assim podemos definir a capital espanhola, que reúne em seus bairros diversas nacionalidades e culturas. Isso está refletido nas ruas, na arquitetura e na gastronomia, e encanta aos que chegam a visita-la.

Você pode visitar diversos lugares enquanto caminha pela cidade. Isso se reflete em pontos turísticos, na gastronomia, em feiras de rua, na religião ou mesmo nas ruas, com pessoas de diversas etnias. Bairros inteiros, como Lavapies, se organizam a partir de diversidades étnicas.

Esse post apresenta alguns exemplos de uma Madri cosmopolita, que recebe num mesmo espaço diversas culturas. Entre tantas riquezas da cidade, talvez seja essa a maior de todas: os braços abertos aos diferentes.

Madri cosmopolita no turismo

Visitar Madri é o mesmo que visitar vários países ao mesmo tempo. Alguns minutos na “Puerta del Sol” podem representar uma viagem à Praça Garibaldi, na Cidade do México. Mariachis se reúnem e fazem a festa dos turistas por lá. O grupo de músicos resgatam as canções que marcam a cultura mexicana em pleno Marco Zero de Madri.

Madri cosmopolita
Foto: Denis Renó.

Os Mariachis sempre animam o centro de Madri.

Outra visita a uma cultura não-hispânica em plena Madri é o Templo de Debod. Inaugurado em 1972, o templo revela a arquitetura núbio-egípcia – um dos únicos fora do Egito e único na Espanha. O templo, que foi construído no século IV a.C. pelo rei Cuchita, estava próximo a Assuão, no Egito. Em 1961, as pedras foram desmontadas e depositadas na ilha de Elefantina. Em 1968, o tempo foi doado à Espanha, que iniciou o projeto de remonta-lo próximo à Praça de Espanha, no centro de Madri.

Madri cosmopolita
Foto: Denis Renó.

É impressionante um templo egípcio em uma capital espanhola.

Visitar o Templo de Debod é uma viagem no tempo, na história e no mundo. As peças das ruínas foram remontadas exatamente como eram no Egito. Para representar o rio Nilo, construiu-se um tanque de pouca profundidade ao redor do templo. Em seu interior, instalou-se um ar condicionado para manter o clima seco e quente da região onde estava Debod.

Madri cosmopolita
Foto: Denis Renó.

O Templo de Debod está ambientado na Madri cosmopolita.

Sabores no planeta

Em Madri, podemos saborear deliciosas tapas, um saboroso jamón serrano e caprichadas paellas valencianas, entre outros belos pratos. Isso já foi publicado num post anterior sobre sabores de Madri. Mas quando se trata de uma Madri cosmopolita, nos transportamos para um delicioso Kebap. Aliás, os melhores kebaps devem estar em Madri.

Madri cosmopolita
Foto: Denis Renó.

O Kebap virou um alimento madrilenho, de tão comum na cidade.

Os Kebaps são servidos em diversos ambientes gastronômicos. Encontramos Kebaps em fast foods espalhados pelo centro turístico de Madri, ideais para matar a fome. Mas há restaurantes típicos escondidos no centro. Próximo à Gran Vía, há um restaurante iraniano que serve, entre outros pratos típicos, um delicioso Kebap de falafel ou de carne com fritas e refrigerante por 6,50€.

Madri cosmopolita
Foto: Denis Renó.

O interior do restaurante nos leva ao Irã.

Religião e misturas étnicas

A religiosidade também faz parte da Madri cosmopolita. A cidade é repleta de igrejas, mas também de mesquitas, sinagogas e igrejas evangélicas. Decorrente do longo domínio árabe, até algumas igrejas católicas trazem uma arquitetura árabe em sua construção.

Madri cosmopolita
Foto: Denis Renó.

Várias igrejas católicas de Madri lembram templos árabes.

Mas o marcante na diversidade religiosa de Madri não é a arquitetura, e sim o respeito. A Espanha, em especial, respeita essa diversidade, e abre espaço para todas as religiões na TVE, com programas semanais nas manhãs de domingo. Isso faz com que o debate sobre tais religiões seja aberto e público, ampliando o respeito coletivo.

Tirso de Molina: uma praça sem fronteiras

Um bairro que consolida uma Madri cosmopolita é Lavapies, reduto de imigrantes latinos, africanos e árabes. Localizado no centro da cidade, Lavapies tem essa diversidade étnica visivelmente representada em suas ruas. Ao caminhar por suas ruas estreitas, escutamos diversos idiomas e dialetos desconhecidos, o que nos leva em viagens sonoras por outros cantos do mundo.

Madri cosmopolita
Foto: Denis Renó.

Em Lavapies, encontramos diversas culturas em suas praças e ruas.

Um ponto quase turístico marcante é a praça Tirso de Molina, que também tem uma estação de metrô. Quase diariamente, às 9 horas da manhã, grupos étnicos se reúnem para buscar trabalho. Esses grupos conversam em seus dialetos e idiomas, aguçando a curiosidade de vários turistas, e o medo de outros, preconceituosos.

Apesar de Nova Iorque ser considerada a capital do mundo, me pergunto: será que Madri não seria a verdadeira capital do mundo? Acredito que sim, pelo respeito e a visibilidade dos imigrantes que vivem na cidade. Em Nova Iorque, as etnias são invisíveis, assim como todos os habitantes. Já em Madri, todos são importantes.

 

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