Conhecer Mariana é o mesmo que regressar numa máquina do tempo ao século XVII, quando a cidade era a maior produtora de ouro para Portugal. A cidade, que viveu seus tempos áureos no Brasil Império, ainda guarda traços fortes de um período Barroco, com igrejas e casarões para todos os lados. Entretanto, do Brasil Colônia aos dias de hoje muita coisa mudou. De uma cidade religiosa, virou universitária. De uma região com riquezas submersas pela terra, transformou-se em vítima de um progresso exacerbado derrubado por um mar de lama. Essa é Mariana.

Mariana
Foto: Denis Renó.

Os casarões se espalham pela cidade.

Entretanto, aqui no blog, vamos dedicar nosso texto a mostrar uma Mariana preservada, um museu a céu aberto. Vamos tentar trazer para essa página o bonito da cidade, que carrega muita história e arte, sabedoria e conhecimento.

Mariana das igrejas

O que mais encontramos em Mariana são igrejas. Tem para todos os tipos e gostos. Construídas no período colonial, as igrejas, muitas delas em péssimo estado de conservação, possuem tesouros artísticos. Obras de Aleijadinho enfeitam o altar. Afrescos enfeitam o teto e as paredes. O pouco ouro que resistiu aos ferimentos do vandalismo brilha em suas colunas.

Mariana
Foto: Denis Renó.

A Igreja do Rosário observa a cidade do alto

 

Mariana
Foto: Denis Renó

A Igreja de São francisco de Assis, ao lado da Igreja Nossa senhora do Carmo, traz a fé ao centro.

Dentre as igrejas da cidade, destacam-se duas: a Igreja do Rosário e a Igreja de São Francisco de Assis. A primeira teve suas obras iniciadas em 1752, concluída em 1758, e possui obras de Manuel da Costa Ataíde. Já a segunda, construída no estilo rococó, teve seu início de construção em 1763. Naquela época, os mais ricos garantiam o lugar no céu não somente comprando ingressos ou oferecendo dízimos. Para ter um espaço privilegiado ao lado de Deus, construíam-se igrejas. A construção tem obras de Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde, este enterrado dentro da própria igreja.

Mariana
Foto: Denis Renó

As obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde estão por toda a igreja.

Uma cidade de pedras sobre pedras

Quem tem dificuldades para andar enfrenta problemas em Mariana. Afinal, quase todas as suas ruas e calçadas são de pedra, preservando o calçamento original. O centro também é repleto de casarões históricos, muitos em estado de conservação razoável. Um passeio por Mariana nos faz recordar Paraty, mas longe do mar. Bem longe, por sinal.

Outras pedras que encontramos em Mariana estão nas belas formações rochosas da região. O caminho entre Ouro Preto e Mariana é repleto de belas paisagens montanhosas que, no inverno, costumam ficar cobertas de nuvem.

Ao lado de igrejas e casarões, encontra-se a antiga cadeia pública. Ainda de pé, a construção estruturada em largas colunas de pedra e paredes de taipa. Uma bela construção, ainda que tenha em seu passado tristes histórias de um tempo em que as leis eram ainda piores que as atuais.

Mariana
Foto: Denis Renó.

Como se pedisse fé, a antiga Cadeia Pública fica em frente às igrejas de São Francisco e Nossa Senhora do Carmo.

Mas como fica a modernidade? No interior de várias construções históricas escondem-se bares sofisticados e restaurantes interessantes. O sabor, normalmente, é carregado pelo tempero mineiro colonial, com muita banha e gordura de porco. Mas também encontramos restaurantes com temperos contemporâneos.

Educação e tranquilidade

Mariana sedia alguns cursos da Universidade Federal de Ouro Preto, especialmente o de História. Afinal, a cidade foi a primeira cidade mineira, a primeira capital das Minas Gerais. Pelas ruas, os estudantes têm aula de história do Brasil ambientada no próprio cenário.

Além de História, a UFOP oferece outros cursos na cidade, como Jornalismo, Administração, Letras e Serviço Social. Obviamente, algumas destas carreiras ficam prejudicadas no momento de realizar estágios. Porém, a proximidade de Mariana a Ouro Preto, outra pequena cidade (um pouco maior), facilita um pouco as coisas.

Mas o bom de ir a Mariana está longe de ser a visita aos pontos históricos, ainda que valham a pena. Muito menos estudar por lá, apesar de que as festas estudantis naquela cidade costumam ser especialmente animadas. O bom de Mariana está na tranquilidade, na liberdade de viver o tempo do jeito que quiser. Por isso, quando estiver em na cidade, esqueça o telefone celular (ele provavelmente não vai funcionar muito bem) e viva o seu tempo.

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