mochileiro
Foto: Denis Renó.

Mochileiro português na América Latina” é um conto sobre Pedro Cândido, português nascido na cidade de Vila do Conde, norte de Portugal (na região do Porto), e que tem como diversão e estímulo de vida viajar. Sua mochila é o bem material mais precioso que possui, ao lado de seu passaporte (por ser português tudo fica mais fácil) e sua câmera fotográfica, algumas vezes substituída pela limitada lente do telemóvel (conhecido no Brasil como telefone celular).

Mochileiro português

Pedro Cândido é um típico cidadão português. Pacato, explode quando as coisas saem do eixo, mesmo que alguns míseros graus. Afinal de contas, é complicado para ele, acostumado com as coisas certinhas e claras, conviver com desajustes provocados por pessoas descompromissadas (ou tranquilamente saudáveis, dependendo da maneira de se ver tal traço de personalidade). Nascido na cidade de Vila do Conde, localizada no distrito do Porto, Pedro Cândido, é reflexo de sua terra natal. Nascera em Vairão, uma das freguesias da cidade, também denominada concelho pelos portugueses, tem aproximadamente 1.200 habitantes. A velocidade da cidade segue inversamente proporcional à relação próxima de seus moradores. A mais longa viagem de Candinho do Porto tenha sido, provavelmente, Aveiro.

Porém, aos 36 anos, decidiu colocar tudo o que tinha em nas costas (inclusive suas músicas preferidas, transformadas em MP3) e viajar o mundo como mochileiro. Suas coisas – morava em um pequeno apartamento de um quarto com decoração minimalista – foi doado à família. Suas economias se transformaram em um cartão de crédito no bolso, alguns euros e dólares, além de poucas notas de real (moeda do Brasil, seu primeiro destino del otro lado del chaco (como dizem os hispânicos), e comprou as passagens.

Foram várias as passagens para o primeiro trecho. Saíra de Vairão em um transporte urbano (um autocarro, como se diz em Portugal) direto ao Porto. De lá, no aeroporto Francisco Sá Carneiro, seguiu a Madri dentro de um horrível avião da canadense Bombardieu que a Iberia resolveu adotar para o trecho, provavelmente há quase um século (se considerarmos a qualidade e modernidade daquela aeronave). Após uma espera de algumas horas, entraria em uma moderna aeronave (não tão moderna assim) A340 com destino a São Paulo. Em breve, o mochileiro teria o seu primeiro encontro com os irmãos brasileiros.

Ansiedade do mochileiro

Candinho sentira diversas palpitações de um mochileiro novato no momento da despedida. Medo pelo que o esperava do outro lado do oceano. Medo pelo próprio oceano (nunca saíra da Europa). Medo da altura, pois sempre viajara de comboio (trem) e autocarro pelas cidades europeias que conhecera. Também sentia palpitações por sua amada Narcisa, que ficara em Vairão com a promessa de que um dia voltaria a encontrar seu prometido, provavelmente com diversas prendas latino-americanas.

Mas o que mais provocava temor em Candinho era o idioma. O brasileiro era um cidadão tranquilo, ainda que soubera por um amigo seu, João Ferreira, que o idioma falado pelas terras que antes fora colônia era bastante diferente do adotado pelas terras originárias. Pior mesmo era o castelhano, diferente em cada país da América hispânica, com palavras esquisitas no sentido português, e incompreensíveis para quem conhece apenas o castelhano da Castilha e, no máximo, o que se fala na Galícia, terra que um dia foi outro reino. Reino próximo de Portugal, inclusive.

Já era tarde. O mochileiro entrara em seu A340, onde conheceu a simpatia das azafatas da Iberia, companhia espanhola invadida pelos capitais norte-americano e britânico. Simpatia essa que mesmo para um português do norte do país era um tanto rudimentar. Mas Pedro Cândido seguira para uma de suas maiores aventuras. Fechara os olhos na decolagem da aeronave no aeroporto de Barajas, capital espanhola. Prometera que abriria os olhos somente ao chegar em Guarulhos, já em espaço brasileiro. Mas não foi capaz de esperar tanto tempo. Na foz do Tejo, abriu.

A partir de agora, o conto será redigido em primeira pessoa. Será Pedro Cândido quem contará suas façanhas. A história, que tem muito de ficção, carrega traços culturais de minha família, dos meus sonhos, da minha vida. Começamos, juntos, a viagem do mochileiro Candinho pela América Latina.

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